Mãe denuncia casos de bullying e agressões contra aluno em escola municipal de Penha
Uma moradora de Penha denunciou ao Penha Online casos de bullying, injúria racial e agressões físicas sofridas por seu filho de 11 anos, estudante da Escola Básica Municipal Rubens João de Souza. A mãe registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia Civil relatando as situações de violência que o filho teria sofrido dentro da unidade escolar.
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Segundo informado por ela, os episódios começaram ainda em 2023, quando o menino – que é autista e conta com acompanhamento pedagógico especial – foi chamado de “macaco” por colegas. Em outra ocasião a criança chegou até mesmo a receber um “mata-leão” de um colega, enquanto a sala estava sem a supervisão de um adulto, causando falta de ar, tontura e náuseas. A mãe afirma que procurou a direção da escola para relatar o caso, mas não foi atendida de imediato.
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“Essa situação tem ocorrido desde o ano passado, onde meu filho, ele é autista. Ele não é laudado ainda. Porém, ele tem um tratamento diferenciado na escola com um professor auxiliar só para ele. A própria escola encaminhou ele para tratamento. E o ano passado chamaram ele de macaco na escola. Ele chegou em casa, contou para mim a situação e eu faltei no serviço, estava no período de experiência, e fui até a escola para tentar resolver essa situação. Quando eu cheguei na escola era por volta de umas 11:30h e a secretaria estava fechando, eles fechavam meio-dia para almoço. Quando eu cheguei para relatar o que estava acontecendo na escola, a escola falou que já sabia do corrido, porém eles não poderiam me atender porque faltava meia hora para eles fechar. Eu falei que dentro dessa meia hora dava para a gente conversar e resolver a situação. Porém, a escola pegou e fechou as portas na minha cara. Isso tudo eu tenho gravado. Eu não satisfeita, fui até a Polícia Civil, abri um boletim de ocorrência e esperei a escola abrir novamente a secretaria e voltei lá com o próprio Boletim de Ocorrência, onde eu fui atendida por uma mulher que agora ela não está mais lá, ela era responsável pela coordenação da escola. A mesma fez uma reunião comigo, meu esposo e a tia do meu filho, que durante o meu período de trabalho, a tia dele fica responsável por ele em questões de escola e de algo que possa vir acontecer dentro do meu horário de trabalho. A mulher conversou com a gente junto com o meu filho e induziu ele a dizer que foi uma situação à parte e que não passava de uma brincadeira entre amigos. Então eu gravei tudo, eu tenho o áudio comprovando a conversa, tudo certinho. Fora isso, durante esse ano, ele começou a chegar em casa com hematomas nos braços, nas costas e eu sempre questionei ele referente a esses hematomas. E ele falava que isso ocorria dentro da sala de aula. Eu tirei foto dos hematomas e ele falou que eles fazem uma brincadeira chamada pique matemática, coxinha… Essas brincadeiras são de agressões físicas, onde eles batem na criança com murro, eles se batem com murro. Chegando ao ponto de eu chegar do serviço, e ele relatar que estava com dor de garganta. Eu questionei o que tinha acontecido, ele não quis falar, mas eu fui abordando. Ele falou que sofreu um mata-leão dentro da sala de aula. Esse mata-leão foi uma brincadeira que eles fizeram entre eles, que pra se incluir no grupo de amizades, você tem que passar por alguns testes e aceitar algumas brincadeiras físicas. E ele, por ser autista e não ter tanta amizade na escola, ele acabou se sujeitando a essa situação. Ele disse que os professores não estavam presentes, estavam em troca de aula. Ele relata que sempre tem aula vaga, então durante as aulas vagas é que é feita essas brincadeiras, já que não tem supervisão dentro da sala de aula. Deram mata-leão no nele e ele chegou em casa, falou que chegou a sentir falta de ar, tontura, náuseas dentro da escola, mas não relatou nada à coordenadoria porque é sempre isso, eles não dão um respaldo para o aluno. Eu relatei a situação, uma pessoa da Secretaria da Educação quis falar comigo. Porém, como a escola nunca toma nenhuma providência referente ao assunto, eu nem perdi meu tempo de ir até a Secretaria da Educação. Eu nem fui. Eu trabalho, eu sou mãe solo e eu preciso trabalhar para pagar meu aluguel, então eu nem faltei no meu serviço para resolver essa situação. Eles falaram também que a escola me chamou para ir lá conversar com eles. Porém, eu não fui porque a escola também nunca toma uma providência. E assim, meu filho precisa estudar, eu preciso trabalhar, e é muito difícil essa situação porque diante do último ocorrido, que meu filho sofreu o mata-leão, dentro da sala de aula, eu fico sem saber se eu vou sair para trabalhar, chegar em casa e encontrar meu filho. Eu disse que, no caso, minha cunhada iria lá para conversar com a escola porque eu estava em horário de trabalho. A escola disse que só conversaria se fosse comigo, mesmo eu autorizando a tia dele responder por mim e tentar resolver essa situação, porém a escola se negou e disse que só conversaria se fosse comigo”.
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O Penha Online levou o caso à Prefeitura de Penha, que enviou a seguinte nota oficial sobre o caso: “Informamos que o fato mencionado já foi devidamente averiguado pela Coordenação da unidade escolar. Ressaltamos, contudo, que até o momento a responsável pelo aluno não compareceu à escola nem à Secretaria de Educação para dialogar sobre a situação. Reforçamos que a escola e a Secretaria estão de portas abertas para o diálogo, sempre com o objetivo de garantir o bem-estar e o desenvolvimento dos estudantes. O acolhimento das famílias é parte essencial desse processo, e contamos com a colaboração de todos para construirmos juntos soluções que fortaleçam nossa comunidade escolar”.

