Lasers colocam aeronaves em risco e aumento de casos provoca alerta em Navegantes
Uma matéria escrita pela jornalista Talita Catie, da NSC TV, mostra que o uso indevido de raio laser contra aviões virou uma dor de cabeça para a gestão do Aeroporto Internacional de Navegantes, o segundo maior de Santa Catarina. Somente entre janeiro e agosto deste ano, a situação se repetiu ao menos 27 vezes, colocando em risco a segurança dos voos. O número é praticamente o triplo em comparação ao ano passado inteiro. Isso porque, até 2024, esse tipo de caso ocorria, em média, umas 10 vezes ao ano, de acordo com a administração do aeroporto. Os feixes de luz mirados contra os aviões partem, na maioria das vezes, de Itajaí, Navegantes e Penha. Os dados revelam que em Florianópolis, por exemplo, o problema não é tão recorrente. Só houve um caso desde 2024. Já em Chapecó, não ocorreu nenhuma vez nos últimos meses.
“Em abril deste ano, uma aeronave com quase 130 pessoas a bordo precisou arremeter no aeroporto de Navegantes, pois, quando estava a baixa altura, a menos de cinco quilômetros para o pouso, sofreu incidência de raio laser. Felizmente, foi possível realizar uma nova tentativa, e a aeronave pousou em segurança”, conta Rafael Santiago, da NAV Brasil.
Há cerca de duas semanas, profissionais do aeroporto de Navegantes, acompanhada da Polícia Federal, começaram uma campanha de conscientização nas comunidades para alertar que a prática é crime e pode provocar acidentes aéreos graves. A ação já começou a dar resultado, garante a equipe. O feixe de luz pode ofuscar temporariamente a visão do piloto, causar cegueira momentânea e até provocar lesões oculares. Isso compromete a leitura dos instrumentos e a percepção do ambiente externo, o que aumenta as chances de erros de navegação e manobras de risco.
“Muitas vezes, quem aponta acredita estar mirando apenas a fuselagem, sem perceber que a claridade pode atingir os olhos de quem conduz o voo”, explica Santiago. Um vídeo feito no Rio Grande do Sul (imagem acima) mostra como o feixe de luz é visto de dentro do avião, por um passageiro.
“Estamos atuando de forma preventiva, levando informação e conscientização para a comunidade. Nosso objetivo é mostrar que o laser não é um brinquedo, mas sim uma ameaça à aviação, e que essa prática é um crime previsto em lei”, explica Wilson Rocha, gerente do aeroporto de Navegantes.
Apontar laser para aeronaves é enquadrado no artigo 261 do Código Penal Brasileiro como crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. A pena varia de dois a cinco anos de reclusão, podendo chegar a até 12 anos em caso de acidente com vítimas.
Imagem: NSC TV

