Ventania: moradores de Penha e Balneário Piçarras questionam demora para religar energia elétrica; gerente da Celesc explica


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Moradores de Penha e Balneário Piçarras relataram transtornos causados pela falta de energia elétrica após a ventania registrada nesta semana. Em alguns pontos, o fornecimento levou mais de 15 horas para ser restabelecido, o que gerou questionamentos sobre os procedimentos adotados durante e após o evento climático. Um morador do bairro Lagoa, em Balneário Piçarras, relatou ao Piçarras Online que, mesmo após o restabelecimento em áreas próximas, sua rua permaneceu sem energia por um longo período: “Celesc de Piçarras não tem um plantão para ajudar a gente, só para cortar a luz. Quando sai a luz, tem que vir de Itajaí. Se o trânsito tiver reparado… pense, são 15 horas sem energia. É um descaso total. Eles acham que lá dentro só moram galinha, porco, cavalo, borro, vaca. Burro tem bastante, somos nós que acreditamos neles, né?É uma rua só, uma rua só sem energia. A banana caiu. Aí eu fico cabreiro, a gente sabe o defeito, tem umas árvores lá encostando na fiação. Eu pedi para cortar dois galinhos. Mas não, tem que abrir um protocolo novo para a outra equipe ir. É fora da casinha esse pessoal”.
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Já um morador de Penha apontou ao Penha Online que a falta de energia em dias de vento forte tem se tornado frequente, especialmente em regiões com obras em andamento: “Com relação à energia elétrica, esses edifícios que estão em construção, é só bater um ventinho em cima que começa a voar material para tudo quanto é lado, atingindo as linhas de energia e deixando ruas completamente às escuras. Nós passamos um corte na última quarta-feira, às 15h aproximadamente, e a energia só retornou por volta das 2h, 3h da madrugada. Então, o que é feito para analisar, acompanhar e vigiar esses edifícios que estão em construção? Quem faz a vistoria disso?”, questionou.
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Sobre o ocorrido, o gerente da divisão de operação e manutenção da Celesc, Diego Cardoso, explicou ao Penha Online que a ventania teve impacto em todo o Sul do país e detalhou como funciona a logística de atendimento da concessionária:
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“O que o pessoal precisa entender é o panorama estadual e nacional nesse caso. Foi um evento grande, afetou o Sul do país inteiro. A gente viu notícias de São Paulo com mais de um milhão de consumidores sem energia. Em Santa Catarina, a gente chegou a ter um pico de 205 mil unidades sem energia. Isso foi no dia do vento, no meio da tarde da quarta-feira. E a gente recompôs praticamente 90% desses consumidores até a meia-noite do mesmo dia. Ou seja, de 205 mil unidades, até meia-noite já estávamos com cerca de 30 mil unidades sem energia no estado. Falando da regional de Itajaí, que pega de Bombinhas a Barra Velha, tivemos um pico de 53 mil unidades sem energia no meio da tarde da quarta-feira. À meia-noite do mesmo dia, estávamos com 2.400 unidades sem energia, recuperando mais de 95% do total. É natural que alguns consumidores fiquem mais tempo sem energia, porque existe uma logística de atendimento. Primeiro atendemos os casos emergenciais, que oferecem risco à população. Depois, as redes principais, que afetam mais consumidores. Só então chegamos aos problemas menores e aos casos pontuais, muitas vezes na casa do consumidor. Em eventos como esse, nenhuma empresa no mundo consegue restabelecer energia para todo mundo em menos de 12 horas. Além disso, aqui na nossa região, especialmente Penha e Piçarras, temos sofrido muito com materiais de obras voando e caindo sobre a rede elétrica, como madeira, telas e outros materiais, o que acaba agravando as ocorrências”, disse.
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Diego também falou sobre as manutenções preventivas realizadas: “Por causa de eventos como esse e o reflexo que ele traz na nossa rede, a gente faz alguns tipos de manutenções na rede, e às vezes a gente é criticado por fazer a manutenção, mas se a gente não fizer, isso causa uma falta de energia, que aí a gente é criticado por que faltou energia e por que não fez a manutenção. Um grande exemplo disso são podas; nós fizemos podas frequentemente, diariamente na região, justamente para evitar que num dia como essa semana essas árvores venham a causar falta de energia. E aí a população, muita gente, não todos, claro, mas muita gente não entende e reclama por que a gente faz poda, mas quando falta de energia e uma árvore cai na rede e deixa a pessoa sem energia, ela acaba reclamando porque que a Celeste não fez poda. Lembrando que podas na cidade são uma responsabilidade municipal, mas a Celeste acaba fazendo porque isso chega na rede, mas esse é um dos serviços preventivos mais importantes que a gente tem, pra justamente quando acontece isso, esse tipo de ocorrência, a gente não ter grandes falta de energia. E o que a gente vê pelo histórico que a gente tem, é que reduziu muito nos últimos anos essas ocorrências. Quando vem o vento, a gente tem notado que cada vez tem dado menos serviços desse tipo, justamente porque a gente tem feito podas preventivas. Então são dois grandes causadores: vegetação na rede e objetos de obra, e aí caberia aí a prefeitura fiscalizar os controles. Os construtores terem algum cuidado a mais nessas obras, quando souberem que vem algum vento, alguma coisa, limpar a obra, não deixar objetos soltos na obra. Isso tudo a gente também já fez algumas reuniões com o Sinduscon (Sindicato da Construção Civil), para orientar esses construtores, para evitar deixar objetos soltos em obra, porque isso causa muito dano na nossa rede”, complementou.
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A Celesc lembra também que atua com prioridade no atendimento às ocorrências para restabelecer o fornecimento de energia ao maior número de unidades consumidoras no menor tempo possível.