Beto Carrero World anuncia plano de R$ 2 bilhões para expansão e aposta em novas áreas temáticas e hotéis


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O Beto Carrero World, maior parque de diversões da América Latina, anunciou um plano de investimento de R$ 2 bilhões ao longo dos próximos quatro anos. A meta é ambiciosa: dobrar o número de visitantes até o fim da década e consolidar o complexo como um resort completo de entretenimento, conforme matéria produzida pela revista Exame. A estratégia está estruturada em dois eixos principais: a ampliação de áreas temáticas licenciadas com personagens infantis e a entrada definitiva no setor de hospedagem, com a construção de hotéis dentro do próprio parque, em Penha. Os recursos virão de capital próprio e de parcerias comerciais. “Estamos na melhor fase da nossa carreira, passando pelo nosso melhor momento financeiro”, afirmou Alex Murad, CEO do Beto Carrero World.
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Os números recentes reforçam o cenário positivo. Em 2025, o parque registrou receita de R$ 660 milhões, alta de 14% em relação ao ano anterior. O público chegou a 2,9 milhões de visitantes, acima dos 2,5 milhões registrados em 2024. Esse crescimento acompanha o avanço do turismo no Brasil. Em 2025, o número de turistas estrangeiros no país passou de 6,7 milhões para quase 10 milhões. No mesmo período, os voos domésticos transportaram 83,2 milhões de passageiros apenas nos dez primeiros meses do ano. “Só cerca de 3% da população brasileira tem visto para ir aos Estados Unidos visitar um parque em Orlando, por exemplo. E mesmo esses vêm ao nosso parque e gostam”, destacou Murad.
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Na frente voltada às atrações, o parque seguirá investindo no modelo de licenciamento de marcas infantis. Após parcerias com a DreamWorks (Shrek, Madagascar e Kung Fu Panda), Mattel (Hot Wheels) e Hasbro (Nerf), o próximo grande projeto será uma área temática do Bob Esponja, em parceria com a Paramount. Apesar de o parque ainda não ter divulgado oficialmente onde a atração será instalada, a expectativa é que a nova área seja implantada no espaço onde funcionava o antigo zoológico, encerrado em 2024. O desenvolvimento do projeto levou cerca de três anos e tem como destaque a implantação de uma nova montanha-russa. “A mais cara do Hemisfério Sul, com custo duas vezes maior do que qualquer outra existente hoje”, afirmou Murad sobre a nova atração.
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Além da área temática do Bob Esponja, o parque confirmou a criação de um espaço voltado à Galinha Pintadinha, com aporte de R$ 50 milhões, e prepara ainda outra atração infantil que ainda não foi divulgada. A estratégia busca estimular os visitantes a permanecerem mais tempo no complexo e ampliar o gasto médio, com oferta de restaurantes e lojas exclusivas integradas às áreas tematizadas. “As atrações sozinhas, sem tematização, já não são mais tão procuradas quanto aquelas com história e personagens”, completou o CEO.
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O segundo eixo do investimento mira um antigo desafio do parque: a ausência de hospedagem própria. Apesar de ocupar uma área total de 14 milhões de metros quadrados, apenas cerca de 10% do território é atualmente utilizado. O novo projeto prevê a construção de três torres hoteleiras, com aproximadamente 200 apartamentos cada, além de outros empreendimentos desenvolvidos em parceria com o setor privado. “Serão hotéis anexos, temáticos e imersivos. O cliente vai acordar e praticamente cair dentro do parque”, explicou Murad. O modelo é inspirado nos complexos integrados da Disney e da Universal, nos Estados Unidos.
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A projeção é de aumento tanto no período de permanência quanto no valor gasto por visitante. De acordo com Paulo Kenzo Uemura, presidente da Associação Brasileira de Parques e Atrações (Adibra), quem se hospeda em hotéis vinculados ao parque pode gastar até três vezes mais do que o público que realiza apenas visitas de um dia. Essa iniciativa segue uma tendência já observada no segmento. Levantamento da Adibra indica que o número de parques nacionais com estrutura de hospedagem passou de 17% para 25% em apenas um ano. Outros projetos caminham na mesma direção, como o Cacau Park, da Cacau Show, que já foi concebido com dois hotéis previstos, e o Hopi Hari, em São Paulo, que inclui shopping center e torres residenciais e hoteleiras em seu plano de reestruturação.
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Com a ampliação das atrações e a implantação dos hotéis, o Beto Carrero World busca se firmar como um resort completo de entretenimento, deixando de ser apenas um destino de visitação diária.