Compras de camiseta, vestido e chocolates são registradas no Paraguai em nome de servidoras da Câmara de Penha durante curso em Foz do Iguaçu/PR


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Uma servidora da Câmara de Vereadores de Penha teve a compra de roupas registrada em seu nome no horário de um curso, cujo valor gasto para tal evento saiu do bolso do contribuinte. A situação se deu durante o Encontro Nacional de Gestores e Legislativos Municipais em Foz do Iguaçu/PR, realizado entre 9 e 12 de dezembro de 2025. Entre inscrições e contratações de cursos, R$ 13.930,00 foram gastos inicialmente.
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Estiveram presentes no evento o presidente da Câmara, Luciano de Jesus, Fabrício de Liz, então Procurador da Câmara, Tatiana Felício, recém-contratada para assumir o cargo de Procuradora, Laisa Floriano e Mariana Garcia, ambas assessoras. O valor das diárias gasto pelos quatro servidores – exceto o vereador Luciano – foi R$ 19.457,04, sendo R$ 4.864,26 para cada. Cabe salientar que o vereador já havia atingido sua cota anual de diárias, enquanto os servidores não têm limites para tal gasto.
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O grupo viajou em carro particular no dia 7, sob justificativa de “evitar a fadiga”, dada a distância a ser percorrida entre Penha e o Oeste paranaense, conforme o processo administrativo 1.610/2025, encontrado no portal da transparência. Luciano, por sua vez, recebeu um reembolso de ao menos R$ 2.040,00 pelo combustível.
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Na programação do Encontro Nacional estava uma visita à Câmara Municipal de Foz do Iguaçu às 8:30h do dia 9. À tarde, entre 14h e 17h estava previsto o credenciamento e entrega de material. Às 8:46h, porém, uma compra em nome de uma das servidoras foi registrada em Ciudad Del Este, no Paraguai. A segunda compra foi registrada em nome de outra servidora às 15:36h.
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O caso chegou ao Penha Online na mesma semana, porém, dada a lentidão para atualização do portal da transparência da Câmara, diversos detalhes ainda não haviam sido tornados públicos para a produção desta presente matéria.
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Após apuração durante o mês de janeiro, o caso foi indagado à Câmara no início de fevereiro. No mesmo dia, duas servidoras se dirigiram até a redação do Penha Online para explicar o ocorrido; elas justificaram que é comum solicitar a motoristas de aplicativo, a realização de compras em nome de terceiros no Paraguai. Contudo, a primeira compra tratou-se de duas peças de roupas: uma camiseta e um vestido. Já a segunda compra foi de três chocolates e dois alfajores.
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Diante destes fatos, questiona-se naturalmente, o envio de um motorista de aplicativo a outro país, para a compra de doces e de peças de roupa, cuja prova muitas vezes se faz necessária antes da aquisição em si. A situação conota desvio da finalidade do dinheiro público, devido às servidoras que não estariam cumprindo agenda, especialmente por terem viajado para o local do evento dois dias antes.
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Importante constar, que até hoje, 14 de março, quatro meses depois, o portal da transparência da Câmara parece ainda não ter todos os detalhes disponíveis. O problema, porém, não é exclusividade deste evento.
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Procurada pelo Penha Online, a Câmara de Vereadores negou, de maneira veemente, a informação enviada pelo Penha Online, que por sua havia solicitado informações sobre as medidas tomadas contra as servidoras que estariam fora do país em horário de curso. “As servidoras cumpriram com a carga horária integral do curso a que foram destinadas a fazer”, disse em nota.
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Quanto à segunda compra, a dos doces, cabe a possibilidade de que a servidora em questão tenha se credenciado antes ou depois das 15:36h, no entanto, no caso da compra da roupa, a situação fica complexa de se justificar, fazendo-se necessária uma investigação.
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Por fim, informa-se que outros detalhes que não podem ser divulgados nesta primeira parte da abordagem ao tema foram encaminhados ao Ministério Público de Santa Catarina, incluindo vídeos e demais comprovantes.

 

Imagem: Penha Online / arquivo / ilustrativa