Medo de golpes faz moradores recusarem agentes de endemias em Navegantes; saiba como identificá-los


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Eles percorrem ruas, entram em quintais e verificam caixas d’água. Os agentes de combate às endemias (ACE’s) são a linha de frente da saúde pública no enfrentamento a doenças como dengue, zika e chikungunya, transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, além do controle de escorpiões e outros vetores. Mas, em Navegantes, esses servidores municipais têm encontrado um obstáculo crescente: a desconfiança da própria população que deveriam proteger.

Somente em 2025, os ACEs registraram 1.718 recusas de moradores que simplesmente se negaram a recebê-los. O número se soma a outros 66.565 imóveis fechados — casas vazias, residências de veraneio ou ainda aquelas em que os moradores, mesmo presentes, optaram por não atender. “Precisamos alcançar 80% de visitas ao ano e o número alto de recusas nos atrapalha em atingir nosso objetivo”, explica Diane Assunção, gerente de Vigilância Ambiental do município.

Como reconhecer um agente legítimo

A principal razão apontada pela gestão municipal para as recusas é o medo de golpes. A preocupação é compreensível diante do cenário nacional de fraudes que se valem de falsas visitas domiciliares. Por isso, a Prefeitura reforça: há formas objetivas de verificar se quem está na porta é realmente um servidor público.

“Nossos agentes saem identificados com colete cinza com a logo da Prefeitura, no lado esquerdo do tórax, e atrás identificado com Vigilância Ambiental. Além do colete, eles saem com crachá de identificação, com nome completo, matrícula e a secretaria em que trabalham. Durante o calor, eles também saem com um chapéu, que consta a logo da Prefeitura e está escrito Secretaria de Saúde e Vigilância Ambiental”, detalha Diane.

Quem tiver dúvidas e quiser confirmar informações sobre os ACEs, pode entrar em contato com a Vigilância Ambiental pelo telefone (47) 3185-2384.

A desconfiança, contudo, não é o único motivo das recusas. Segundo Diane, parte da população chega a negar atendimento como forma de protesto por problemas com outros setores da Prefeitura, como um conserto de boca de lobo ou asfalto não realizado, descontando a insatisfação nos ACEs, que não têm qualquer relação com as demandas em questão.

O risco dentro das casas: pets soltos e agentes mordidos

Além da recusa antes de entrar, há outro perigo quando os agentes finalmente conseguem acesso: os animais domésticos soltos. Cães deixados livres durante as visitas representam risco concreto à integridade física dos servidores. “Só neste ano, já tivemos seis pessoas mordidas porque os animais estavam soltos”, revela a gerente.

“Pedimos encarecidamente à população que colabore com a segurança dos nossos agentes e mantenha os animais presos durante nossas visitas para evitar esse tipo de acidente”, ressalta Diane.

“O trabalho dos agentes de combate às endemias é, em última instância, uma medida de proteção coletiva. Recebê-los com identidade verificada, manter os animais recolhidos e permitir o acesso ao imóvel são atitudes simples que contribuem diretamente para a prevenção de doenças em toda a comunidade”, complementa.

 

Imagem: Prefeitura de Navegantes