Penha: servidores relatam preocupações com gestão da saúde municipal e funcionamento da Policlínica
Alguns servidores da rede municipal de saúde de Penha tornaram públicas preocupações relacionadas ao funcionamento da Policlínica e à gestão administrativa da saúde, apontando possíveis impactos no ambiente de trabalho e na qualidade do atendimento prestado à população. Entre os relatos apresentados ao Penha Online, são mencionadas condutas atribuídas à coordenação da unidade, exercida por uma mulher que ocupa cargo comissionado, que, segundo servidores, estariam em desacordo com princípios fundamentais da administração pública, como impessoalidade, ética, profissionalismo, respeito ao servidor e compromisso com o interesse coletivo. De acordo com as manifestações, teriam ocorrido situações como:
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– Priorização de atendimentos por vínculos pessoais, contrariando o princípio da isonomia;
– Realização de evento de caráter privado em horário de expediente, citado como chá revelação da amiga da pessoa em questão;
– Envio frequente de mensagens e áudios em tom considerado inadequado por parte dos servidores;
– Episódios interpretados como constrangimento funcional ocorridos durante o horário de trabalho.
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Segundo relatos, um desses episódios teria ocorrido após uma servidora efetiva manifestar opinião pessoal em rede social fora do horário de expediente. Ainda de acordo com os profissionais ouvidos, a publicação estaria relacionada a situação envolvendo familiar da coordenação que teria recebido valores de diárias, o que teria motivado abordagem considerada inadequada dentro da unidade. Para os servidores, o episódio foi interpretado como exposição indevida e incompatível com o respeito à esfera funcional e à liberdade de manifestação do servidor público.
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Também foram mencionados servidores próximos à coordenação, quanto a comportamentos considerados incompatíveis com o ambiente profissional de uma unidade de saúde. Segundo os relatos, quando reunidos em determinados momentos do expediente, o ambiente da Policlínica passaria a apresentar gritaria, desorganização e atitudes vistas como inadequadas ao espaço institucional, incluindo uso de linguagem imprópria, conversas em tom elevado, danças e manifestações consideradas desrespeitosas ao ambiente de trabalho e ao atendimento ao público. Outro ponto levantado refere-se à nomeação para função de chefia sem exercício efetivo das atribuições técnicas esperadas, o que, na percepção de colegas, impactaria a organização do serviço, o clima entre trabalhadores e a condução assistencial da unidade.
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QUESTIONAMENTOS SOBRE CRITÉRIOS NA SECRETARIA DE SAÚDE
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As manifestações também alcançam a estrutura administrativa da saúde municipal de Penha de forma mais ampla. Aqui, os denunciantes citam nomes em diversas funções de direção ou gestão. Segundo os reclamantes, haveria percepção de:
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– Indicações baseadas em vínculos pessoais, familiares ou políticos;
– Ocupação de cargos estratégicos por profissionais sem formação específica na área da saúde;
– Fragilidades na condução técnica e administrativa dos serviços públicos de saúde.
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Relatos mencionam ainda problemas estruturais em unidades de atendimento e na gestão da farmácia, sem providências consideradas efetivas pelos trabalhadores. Para os profissionais que se manifestaram, esse conjunto de fatores pode comprometer não apenas o clima organizacional e a saúde emocional das equipes, mas principalmente a qualidade do atendimento oferecido à população, que depende diretamente de uma gestão técnica, organizada e comprometida com o interesse público.
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PEDIDO DE APURAÇÃO E PROVIDÊNCIAS
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Diante do cenário descrito, servidores solicitam que o Poder Executivo municipal e a Secretaria Municipal de Saúde realizem apuração responsável das situações relatadas, com reavaliação criteriosa dos cargos de coordenação e direção, priorizando:
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– Profissionais com formação técnica compatível com a área da saúde;
– Postura ética, preparo emocional e capacidade de liderança;
– Garantia de ambiente de trabalho respeitoso, organizado e profissional;
– Fortalecimento do compromisso com a qualidade do serviço público prestado à população.
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Os manifestantes ressaltam que o objetivo da exposição não é pessoalizar críticas, mas contribuir para a melhoria da saúde pública municipal, entendendo que parte das situações relatadas pode não ser de conhecimento integral da chefia do Executivo. A expectativa é de que haja verificação adequada dos fatos e adoção de medidas corretivas, assegurando melhores condições de trabalho aos servidores e atendimento digno à população. Os servidores e a população aguardam uma resposta e mudança da parte do prefeito e vereadores.
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O Penha Online levou o caso à Prefeitura de Penha, que não deu resposta até o momento desta publicação.
Imagem: Prefeitura de Penha / arquivo

