Paciente odontológica reclama do tempo de espera e adiamento de atendimento em UBS de Penha


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A demora para conseguir atendimento odontológico e a falta de comunicação sobre o cancelamento de consultas motivaram a reclamação de uma moradora atendida pela UBS do Mariscal, em Penha.
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Segundo a denúncia, os pacientes precisam chegar ao posto ainda de madrugada para tentar uma das oito vagas disponibilizadas diariamente. Em um dos episódios relatados, a moradora chegou às 5:50h e permaneceu na fila até 7:40h, quando foi informada de que o atendimento odontológico não aconteceria porque o dentista havia passado mal. A paciente afirma que compreende a situação do profissional, mas questiona a falta de uma comunicação antecipada aos usuários que já estavam a caminho da unidade.
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Veja a manifestação da denunciante na íntegra: “Venho, com profunda indignação e frustração, expor a realidade que vivemos diariamente ao buscar atendimento odontológico no Posto de Saúde de Penha/SC — uma situação que fere o direito ao atendimento digno e expõe trabalhadores e cidadãos a um sistema desorganizado, desumano e sem previsibilidade. Para conseguir uma ficha de atendimento odontológico, é preciso chegar ao posto entre 5h e 6h da manhã, horas antes do próprio estabelecimento abrir às 8h. As pessoas ficam expostas ao frio, esperando em fila, na esperança de garantir um dos apenas 8 atendimentos disponíveis por dia. Muitas vezes, mesmo chegando antes das 6h, não conseguimos vaga — é preciso voltar no dia seguinte e repetir todo o sacrifício. Hoje, cheguei à fila às 5h50 da manhã. Esperei até às 7h40, quando alguém informou que não haveria atendimento, pois o dentista havia passado mal. Entendo que profissionais também adoecem — isso é humano. O que não é aceitável é fazer dezenas de pessoas levantarem antes do amanhecer, irem até o posto, esperarem horas a frio e só então receberem a notícia de que não haverá atendimento. Não há aviso prévio, não há comunicação antecipada, nenhuma forma de nos poupar desse deslocamento inútil. O sistema atual é totalmente baseado em fila e sorte, sem qualquer tipo de agendamento. Somos trabalhadores que precisamos cumprir jornadas e somos obrigados a sacrificar horas de sono e de trabalho apenas para tentar uma vaga incerta. Será que realmente não existe uma forma melhor de organizar isso? Por que não há agendamento? Por que não há comunicação quando o atendimento precisar ser cancelado? Não é pedir demais querer um atendimento organizado, transparente e respeitoso. Não é justo que cidadãos que pagam seus impostos e trabalham todos os dias sejam tratados dessa forma — como se nosso tempo, nosso cansaço e nossa saúde não tivessem valor. Não podemos continuar sendo humilhados pelo sistema, obrigados a depender de sorte para tentar nos cuidar. Não se trata de reclamar de um profissional que passou mal, mas sim de denunciar a falta de organização que torna tudo ainda mais desrespeitoso. Espero que esta mensagem gere mudanças reais para todos os moradores de Penha”.
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Procurado pelo Penha Online, o secretário de Saúde de Penha informou que, a falta de profissionais normalmente só é informada no dia seguinte, ou quando ele retorna e apresenta atestado, não sendo possível prever. Já sobre a situação onde pacientes chegaram cedo e esperam muito, Nestor comentou ser uma questão cultural dos pacientes aparecerem cedo na UBS: “a gente não consegue controlar, as pessoas realmente saem cedo, acham que pra segurar a vaga elas têm que sair cedo e isso vira uma bola de neve, tanto que a gente tá tentando mudar isso com os agendamentos, mas é bem difícil ter aceitação. Uma parte da população quer agendamento, a outra parte quer ficha, daí fica esse embate. As políticas públicas que têm o novo financiamento do SUS, elas falam sobre consultas programadas, que são consultas agendadas, mas enfim, é uma questão delicada, com certeza”, concluiu.

 

Imagem: Penha Online / arquivo / ilustrativa